DISCURSO, PODER E EXCLUSÃO: O PRECONCEITO LINGUÍSTICO EM NÍVEL NACIONAL E INTERNACIONAL

  • Autor
  • Gabriel Batista Santos
  • Co-autores
  • Valéria Aparecida Bari
  • Resumo
  • No presente estudo, verificando a situação da imprensa brasileira no séc. XXI, ainda é possível verificar o estratagema da qualificação da notícia, por meio de recursos da língua portuguesa formal, em detrimento de modos de expressão local. Segundo Pierre Bourdieu (2008), o capital simbólico da linguagem é utilizado como instrumento de poder na sociedade. Ao estabelecer um olhar crítico sobre a questão do preconceito linguístico, com base em Bourdieu, e sua relação com as mídias massivas, verifica-se que o Brasil focaliza as expressões legitimadas de informação nos dispositivos midiáticos da região Sudeste e Sul. Sob o pretexto da qualificação da comunicação jornalística, foram e ainda são suprimidas as expressões linguísticas regionais. Quando aparecem, se prestam somente à criar uma ambiência exótica, ou apoiar a identificação de uma referência geográfica e comunitária. O objetivo geral do estudo é verificar como o preconceito linguístico se manifesta na imprensa brasileira. Como objetivos específicos, temos o de observar a relação entre linguagem e poder no jornalismo e examinar como a norma-padrão é utilizada em critérios de legitimação nos discursos jornalísticos. Como marco teórico, foi estudado um dos mais importantes teóricos dos estudos culturais: Pierre Bourdieu, que vai falar sobre como a língua possui um valor simbólico nas relações sociais. William Labov, considerado o “pai da sociolinguística", vai debater sobre como as variantes linguísticas focam como formas alternativas de dizer a mesma coisa e como são condicionadas as questões de classe social, educacional e idade. Outro autor mais recente, Marcos Bagno, vai discutir sobre como o preconceito linguístico causa uma divisão entre os falantes da língua portuguesa na sociedade. A metodologia é básica, exploratória e descritiva. Seu principal procedimento é a revisão bibliográfica narrativa, na qual foram selecionadas fontes especializadas sobre preconceito linguístico e produções da imprensa brasileira. Como sujeito informacional de observação, o ator Wagner Moura protagonizou recentemente situações nas quais aflorou a questão do preconceito linguístico. Durante a premiação do Globo de Ouro 2026, o ator Wagner Moura, em seu agradecimento, fala frases em língua portuguesa com a variante linguística baiana. Previamente, em entrevista à jornalista Tatiane Cavalcanti (2026), Moura explica que não vai renunciar nem ao seu sotaque baiano no Brasil, nem ao seu sotaque brasileiro, nos Estados Unidos, que considera como traço identitário essencial. O preconceito linguístico contraria princípios constitucionais brasileiros em vigência. A legislação brasileira valoriza a diversidade linguística, principalmente por meio da Constituição Federal de 1988, que reconhece o Português como língua oficial (1988, Art. 13), mas protege línguas indígenas e de imigração (1988, Arts. 210 e 231), assim como estabelece a liberdade de expressão e a garantia de igualdade mediante o acesso à informação (1988, Art. 5). O principal instrumento de preservação deste direito é o Decreto nº 7.387/2010, que instituiu o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Verificamos, contudo, que a diversidade linguística está reservada ao convívio, ainda sem reconhecimento na comunicação social. O jornalismo brasileiro ainda atua como um mecanismo de poder simbólico, contribuindo para desigualdades sociais e silenciamentos das outras variações linguísticas.

  • Palavras-chave
  • Preconceito linguístico - Brasil; Preconceito linguístico na Mídia; Preconceito linguístico na imprensa
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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